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Varejo ampliado do Paraná tem crescimento tímido em outubro, mas desacelera diante de juros elevados

Apesar do avanço em frente a setembro, cenário nacional de juros elevados e crédito restrito pressiona o ritmo do comércio no estado

19/12/2025

O comércio varejista ampliado do Paraná registrou crescimento de 0,4% em outubro de 2025 na comparação com setembro, desempenho positivo, ainda que mais moderado que o observado no Brasil, onde o avanço foi de 1,1%. Os dados são da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com análise pela Fecomércio PR.

Na comparação com outubro de 2024, o cenário foi menos favorável. Enquanto as vendas do varejo ampliado recuaram 0,3% no Brasil, no Paraná a queda foi mais intensa, de 2,4%, refletindo os efeitos do aperto monetário sobre o consumo, especialmente nos segmentos mais dependentes de crédito.

No acumulado de 12 meses, entre novembro de 2024 e outubro de 2025, o desempenho do Paraná segue relativamente melhor que o nacional. Nesse período, o comércio varejista ampliado permaneceu praticamente estável no Brasil, enquanto no estado apresentou crescimento de 0,9%, indicando um ritmo ainda superior à média do país, embora com sinais claros de desaceleração.

Segundo o economista e assessor econômico da Fecomércio PR, Lucas Dezordi, o resultado reflete diretamente o atual cenário macroeconômico. “O comércio varejista ampliado, que inclui a venda de veículos, motocicletas e autopeças, mostrou desaceleração em outubro na comparação com o mesmo mês do ano passado, em um contexto de juros elevados e maior dificuldade na concessão de novos empréstimos”, avalia.

Entre as atividades que apresentaram expansão no Paraná em outubro de 2025 frente a outubro de 2024, destacam-se outros artigos de uso pessoal e doméstico, com crescimento de 15,9%, móveis e eletrodomésticos, que avançaram 2,7%, e artigos farmacêuticos, com alta de 2,2%. Esses segmentos ajudaram a atenuar o impacto negativo de setores mais sensíveis ao crédito.

Por outro lado, os maiores recuos foram registrados em veículos, motocicletas e peças, com queda de 11,6%, equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, que recuaram 4,4%, e combustíveis e lubrificantes, com redução de 2,6%.

No recorte dos últimos 12 meses, o varejo ampliado do Paraná acumulou queda expressiva em equipamentos e materiais para escritório (-11,0%), além de retração em artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (-3,0%) e no atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo (-1,3%).

De forma geral, o comércio varejista ampliado paranaense apresentou desaceleração ao longo dos últimos meses, mesmo mantendo crescimento no acumulado de 12 meses acima da média nacional. A tendência está diretamente associada ao cenário de política monetária restritiva no Brasil, com a manutenção da taxa Selic em patamares elevados para o controle da inflação, o que limita o acesso ao crédito e reduz o fôlego do consumo.

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Publicado por Karla Santin

19/12/2025 às 11:41

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