03/06/2026

A geração de empregos formais perdeu força de maneira expressiva no Paraná em abril de 2026. Dados do Caged, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e analisados pela Fecomércio PR no Boletim do Emprego, mostram que o estado criou apenas 2.335 vagas no mês, resultado 85,9% inferior ao registrado em abril de 2025, quando foram abertas 16.566 vagas. O desempenho reforça a trajetória de desaceleração do mercado de trabalho observada desde o início do ano, mas em intensidade superior à esperada diante do atual cenário econômico.
No Brasil, o movimento foi semelhante. O saldo de empregos caiu de 238.216 vagas em abril de 2025 para 85.888 em abril deste ano, retração de 63,9%.
“O resultado reflete um ambiente de maior cautela por parte das empresas, pressionadas por juros elevados, crédito mais restrito e aumento dos custos operacionais. A combinação desses fatores tem reduzido o ritmo de investimentos e adiado decisões de contratação, especialmente nos segmentos mais dependentes do consumo das famílias”, avalia o assessor econômico da Fecomércio PR, Lucas Dezordi.
Os efeitos do conflito no Oriente Médio também começam a aparecer de forma mais evidente sobre a economia. A elevação dos preços internacionais do petróleo impacta diretamente o diesel e encarece toda a cadeia de transporte e distribuição de mercadorias. “No comércio, muitos empresários optam por absorver parte desses custos para evitar repasses integrais aos consumidores, reduzindo margens e limitando a capacidade de expansão dos negócios e das contratações”, alerta o economista.
Serviços registram saldo negativo
O dado que mais chamou a atenção em abril foi o desempenho do setor de serviços, principal empregador do Paraná, responsável por 1.430.781 postos de trabalho, quase metade do total de empregos formais do estado. O segmento encerrou o mês com saldo negativo de 359 vagas, revertendo o resultado positivo de 6.480 empregos registrado em abril do ano passado.
Segundo o assessor econômico da Fecomércio PR, a retração foi puxada principalmente pelas atividades administrativas e serviços complementares. “No setor de serviços, as atividades administrativas e serviços complementares registraram um saldo negativo expressivo no mês de abril”, destaca. O resultado é especialmente relevante porque esse grupo reúne atividades ligadas à terceirização e à locação de mão de obra temporária, tradicionalmente sensíveis às oscilações da atividade econômica e frequentemente utilizadas pelas empresas como indicador antecedente de expansão ou retração dos negócios.
Comércio também desacelera
No comércio paranaense, o saldo permaneceu positivo, mas em ritmo muito inferior ao observado há um ano. Foram geradas 456 vagas em abril de 2026, ante 4.122 postos criados em abril de 2025, o que representa uma queda de 88,9% na geração de empregos do setor.
O desempenho acompanha o comportamento mais cauteloso dos consumidores e o aumento dos custos enfrentados pelas empresas. “A combinação de juros elevados, crédito mais caro e inflação pressionada por fatores externos tem reduzido o ímpeto de expansão dos estabelecimentos comerciais”, avalia Dezordi.

Interior lidera geração de vagas
Mesmo diante do cenário de desaceleração, alguns municípios do interior apresentaram desempenho positivo na geração de empregos. Toledo liderou o saldo de vagas em abril, com 457 novos postos de trabalho, seguido por Foz do Iguaçu (415), Londrina (366), Cascavel (308) e Cambará (272).
Em termos percentuais, os maiores avanços ocorreram em Ubiratã (+256,9%), Santo Antônio da Platina (+231,9%), Quatro Barras (+90,2%) e Toledo (+69,9%).
“O município de Curitiba não configurou na lista de maiores empregadores, em virtude da queda do emprego em setores relevantes como o de serviços. A maior expansão em termos percentuais e absolutos encontra-se nos municípios do interior, com foco no desenvolvimento regional do Estado”, observa Dezordi.
A avaliação da Fecomércio PR é de que o mercado de trabalho continuará enfrentando um processo de moderação nos próximos meses. “A manutenção dos juros em patamar elevado, aliada às incertezas do cenário internacional e ao aumento dos custos logísticos, tende a manter empresários mais cautelosos em relação à abertura de novas vagas”, explica o assessor econômico.
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