14/05/2026

O comércio varejista do Paraná começou 2026 em ritmo mais lento. De acordo com a Pesquisa Conjuntural do Comércio, elaborada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR), as vendas do setor no primeiro bimestre do ano recuaram 1,6% em comparação com o mesmo período de 2025. O resultado reflete um cenário de consumo mais cauteloso, influenciado pelos juros elevados e pelos impactos econômicos do conflito no Oriente Médio, que elevam custos na cadeia produtiva e ampliam as incertezas no ambiente econômico.
Somente em fevereiro, a retração foi de 4,53% na comparação com janeiro. Além de contar com menos dias úteis, o mês teve o feriado de Carnaval e ainda concentrou parte do período de férias escolares, fatores que tradicionalmente reduzem a movimentação no comércio. No entanto, o principal freio para o varejo tem sido o comportamento mais conservador do consumidor diante do encarecimento do crédito e da alta nos preços de produtos e combustíveis.
Entre os segmentos mais afetados no acumulado do primeiro bimestre, o setor de vestuário e tecidos registrou a maior queda, de 16,36%. Na sequência aparecem óticas, cine-foto-som, com retração de 11,20%, e materiais de construção, com recuo de 7,33%. Na contramão do mercado, as lojas de departamentos apresentaram desempenho positivo e expandiram as vendas em 14,92% nos primeiros meses do ano.
O desempenho regional também demonstra um cenário de desaceleração. Entre as regiões pesquisadas, apenas Londrina apresentou crescimento no bimestre, com alta de 1%. Maringá registrou a retração mais intensa, de 8,87%, seguida pela Região Oeste, com queda de 2,33%. Ponta Grossa teve recuo de 1,57%, enquanto o Sudoeste caiu 1,06%. Já Curitiba e Região Metropolitana apresentaram redução de 0,99% nas vendas.
Na comparação entre fevereiro de 2026 e fevereiro de 2025, novamente as lojas de departamentos lideraram o crescimento, com avanço de 12,76%. Já os setores mais pressionados seguiram apresentando perdas expressivas. Óticas, cine-foto-som recuaram 13,38%, enquanto vestuário e tecidos caíram 9,75%. Livrarias e papelarias tiveram retração de 9,70%, e o segmento de autopeças registrou queda de 9,56%.
Mais uma vez, Londrina foi a única região do estado a apresentar resultado positivo na comparação anual de fevereiro, com alta de 2,13%. Nas demais regiões, o comércio manteve trajetória de retração. Curitiba e Região Metropolitana registraram queda de 1,36%, Ponta Grossa recuou 1,77%, a Região Oeste caiu 1,86% e o Sudoeste teve retração de 2,42%. Em Maringá, as vendas diminuíram 4,32% em relação ao mesmo mês do ano passado.
O desempenho do início do ano reforça um cenário de maior seletividade do consumo e de desaceleração do varejo paranaense, em um contexto marcado pelo crédito mais caro.



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