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Lugar de aconchego

A Região Sudoeste do Paraná reserva aos visitantes o contato com atrativos únicos da natureza.

26/03/2020

*Silvia Bocchese de Lima

Ocupada a milhares de
anos por índios tupi
guaranis e caingangues,
classificada como
terra espanhola à esquerda do
Tratado de Tordesilhas, disputada
por Brasil e Argentina, pretendida
pelo estado de Santa Catarina,
integrante do então Estado do
Iguaçu. Embora repleta de história,
a Região Sudoeste do Paraná
tem uma recente constituição político-
administrativa. A maioria de
seus 42 municípios não tem mais
de 75 anos de fundação, à exceção
de Palmas, um dos primeiros do
Paraná, com 140 anos de emancipação e de Clevelândia com 127 anos.

Em busca dessa região promissora, houve – a partir da década de 1940
até o fim dos anos de 1970 –, uma onda migratória do Sul do Brasil para
o Sudoeste paranaense: a população regional, que era de 40 mil habitantes
passou para 445,5 mil, revelou o senso do IBGE de 1970. Solo rico,
abundância de madeiras e erva-mate impulsionaram a chegada de novos
moradores. Foi nesta leva que uma parte dos meus familiares chegou à
região, oriunda do Rio Grande do Sul, para suprir a carência de mão de
obra especializada em mecânica, ferraria e chapeação.

Descoberta em 2004, a cratera de Vista Alegre, em Coronel Vivida, é resultado da colisão de um meteorito com a terra. O impacto foi equivalente a 250 mil bombas iguais a que destruiu Hiroshima. (Crédito imagem: Nat Hero)

A abertura de estradas rurais e o acesso rodoviário permitiram que o Sudoeste
fosse conectado, divulgado e seus atrativos turísticos conhecidos.
A região é rica em belezas naturais, resultado da miscigenação de povos
e conta com fenômenos raros, como a Cratera de Vista Alegre, em Coronel
Vivida – uma cratera de impacto de cerca de 9,5 km de diâmetro,
consequência da colisão de um meteorito com a Terra há mais de 130
milhões de anos.

 

Parque Alvorecer, em Pato Branco, recebeu em 2019 mais de 500 mil visitantes. (Crédito imagem: Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Pato Branco – Rodinei Santos)

PRESERVAÇÃO AMBIENTAL

Apesar da intensa extração de árvores
de araucária no ciclo econômico
da madeira, Chopinzinho
defende o título de maior reserva
natural de araucária do mundo,
localizada em terras indígenas
com área superior a 11 mil hectares
e, como é rica em recursos
minerais, como ametista, cristal,
ágata e citrino, considera-se a Capital
das Pedras no Paraná.

Parque Cecilia Cardoso. (Crédito Imagem: Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Pato Branco – Rodinei Santos)

 

A região também possui diversos
espaços de preservação ambiental
como o Parque Alvorecer (Parque
Estadual Vitório Piassa), com
mais de um milhão de metros
quadrados de mata nativa, em
Pato Branco, aberto à visitação,
de terça-feira a domingo das 7h às
21h e, nas segundas-feiras, das 16h
às 21h. Também em Pato Branco
é possível visitar o Parque Cecília
Cardoso, um espaço particularmente
especial por ter sido terras
de minha avó e levar seu nome.

Ali é possível realizar caminhadas
em meio à mata preservada e são
promovidos shows e espetáculos
artísticos.

Cachoeira do Hermann, em Coronel Vivida, é uma das mais de 90 cachoeiras catalogadas no município. (Crédito imagem: Luiz Ogrodowski Junior)

Quem passa por Coronel Vivida
também poderá admirar as 92
cachoeiras catalogadas, de 2m a
60m de altura. O instrutor de rapel,
Luiz Ogrodowski Junior, conta
que um terço das quedas tem altura superior a 20m e para a prática
de rapel o ideal são as maiores de 30m e cita a Cachoeira do Hermann
como a de melhor acesso e uma das mais belas da cidade.

Apesar de não estar localizado no Sudoeste, mas muito próximo da região,
em Pinhão, nos arredores da Usina de Foz do Areia, é possível
visitar o Jardim Botânico de Faxinal do Céu, uma área de 152 hectares
de mata preservada que abriga espécies da flora dos cinco continentes.
Na Vila dos Trabalhadores o visitante pode realizar turismo ecológico e
de educação ambiental. A Vila de Faxinal do Céu é aberta ao público,
com serviço de hospedagem para até 1.200 pessoas. Recebe ao ano mais
de 20 mil visitantes.

 

ATRATIVOS TURÍSTICOS

O frio, uma atração à parte, transforma cenários das manhãs de geada. (Crédito imagem: Silvia Bocchese de Lima)

O frio é um atrativo à parte. Em
Palmas, a cidade mais fria do estado,
a precipitação de neve é frequente
no inverno, principalmente
na região de campo aberto do
Horizonte, onde a altitude chega
a 1.340m. A combinação geográfica
e o alto potencial eólico permitiu
ali a instalação da primeira
usina eólica do Sul do Brasil, em
1999. A visitação ao local é possível
mediante agendamento e
depende da programação dos trabalhos
a serem executados pelas
equipes de operação e manutenção
do parque eólico.

A Copel, na Usina Eólico-Elétrico de Palmas, possui cinco aerogeradores de 500kW cada, totalizando 2,5MW de potência instalada. (Crédito imagem: Arquivo Copel)

As baixas temperaturas registradas
no inverno são essenciais para a
boa qualidade das maçãs produzidas
em Palmas, que precisam de
no mínimo 600 horas de frio abaixo
de 7,2ºC por ano. A cidade é a
maior produtora de maçã do estado,
registrando a colheita de 10 mil
toneladas do produto em 2018. À
época da florada das macieiras, as
fazendas são presenteadas com um
verdadeiro espetáculo da natureza.

Anualmente, o Complexo Aquático Hotel e Resort Águas do Verê Termas recebe mais de 22 mil pessoas. (Crédito imagem: Divulgação Águas do Verê Termas)

As águas termais, com vazão de aproximadamente mil litros por hora,
a 36,5ºC de temperatura, são responsáveis por abastecer o complexo
aquático Hotel e Resort Águas do Verê Termas, que recebe anualmente
22 mil pessoas. O espaço permite que o visitante usufrua do day-use,
com acesso por um dia de todas as piscinas ou se preferir, fique hospedado
no hotel ou na Pousadas das Fontes. O hotel possui ainda um centro
de convenções para 120 pessoas e um espaço para eventos e casamentos
com capacidade para 600 pessoas. Além de Verê, a região conta com outros
parques termais, como as Thermas de Sulina, em Sulina, e a Anila
Thermas, em Francisco Beltrão.

 

Zoológico Unisep, em Dois Vizinhos, abriga 370 animais de 100 diferentes espécies. (Crédito imagem: Marieli Bocchese Cenci)

 

Não muito longe dali, encontra-se Dois Vizinhos onde foi instalado o
Zoológico Unisep. Em uma área de 30 mil metros quadrados são abrigados
370 animais de 100 espécies diferentes. Todos os recintos seguem
as normas estabelecidas pelo Ibama. A União de Ensino do Sudoeste
do Paraná (Unisep) é uma das únicas instituições de ensino do país com
zoológico em seu campus. O espaço não é aberto apenas aos alunos.
Visitas externas podem ser realizadas às sextas-feiras, aos sábados e aos
domingos.

Para contar a história dos pioneiros
da região, Francisco Beltrão
criou em 2004, o Museu da Colonização,
com um acervo de peças
utilitárias da vida diária dos colonizadores,
localizado no Parque
Jayme Canet Júnior.

TURISMO DE EVENTOS

Situada a 119km da fronteira com
a Argentina, 29,7km de Santa Catarina,
Pato Branco se destaca no
turismo de eventos e promove, em
edições bianuais, a Feira Casa e
Construção – onde são apresentadas
as tendências e inovações na
engenharia, arquitetura, decoração,
setor moveleiro, design e serviços –,
a Exposição Agropecuária (Expopato),
Comércio e Industrial de Pato
Branco), a Inventum – feira que
demonstra a produção científica,
tecnológica e as inovações geradas
na cidade. São realizadas palestras
e ações envolvendo os setores de
empreendedorismo, tecnologia e
inovação. O evento conta com a
participação de mais de 110 mil pessoas,
com a próxima edição agendada
para 2021.

Todos os anos, Pato Branco realiza o Desfile de Natal. Em 2019, o evento contou com a presença de mais de 350 voluntários, divididos em 60 alas e quatro alegorias. (Crédito imagem: Assessoria de Imprensa – Prefeitura de Pato Branco – Rodinei Santos)

Desde 2005, a cidade
organiza todos os anos o Natal de Pato Branco, um espetáculo a céu aberto,
com show de luzes, ornamentação e apresentações culturais.

A cidade de São João promove anualmente, em junho, a Festa da Fogueira
e, desde 2010, exibe o título de Maior Fogueira do Brasil, com
62,2m de altura, homologado pelo Ranking Brasil.

Toda segunda quinzena de janeiro, Mariópolis organiza, durante três
dias, a Festa da Uva, com a visitação de mais de 50 mil pessoas atraídas
pela comercialização da uva in natura, produtos coloniais, vinhos
e programação cultural, artística e gastronômica. Evento semelhante é
sediado em Salgado Filho, em julho, a Festa do Queijo e do Vinho,
que evidencia fortemente a influência alemã e italiana na colonização,
gastronomia e hábitos e, em Candói, no mês de agosto, a cidade recebe
a Festa Nacional do Charque, quando a história dos tropeiros é rememorada
com a gastronomia e o rodeio de touros e cavalos.
Em dezembro, Coronel Vivida realiza o Festival Gastronômico Sede do
Sabor com a comercialização de mais de 75 pratos da culinária do Sul
do Brasil.

TURISMO RELIGIOSO

Quando o assunto é religião, o Sudoeste não foge à regra brasileira e
também declara que Deus é nascido em terras tupiniquins. Apresenta
uma variedade de crenças, influência esta, vinda, principalmente, com
os povos colonizadores. Em Mangueirinha,
nos meses de janeiro,
voluntários organizam a Procissão
dos Navegantes que percorre os
Lagos do Iguaçu, da Usina de Salto
Segredo e, há mais de 120 anos,
mantem-se a tradição da procissão
na madrugada da Sexta-feira Santa,
com batismos na fonte e coleta
de água utilizada como benta em
situações especiais.

Os eventos religiosos passam pela
Romaria, em Cruzeiro do Iguaçu;
a Gruta de Frei Galvão, em Pato
Branco; além da Marcha para Jesus,
realizada em diversas cidades
da região.

Em Francisco Beltrão, no alto do Morro do Calvário, encontra-se a imagem do Cristo Redentor. (Crédito Imagem: Prefeitura de Francisco Beltrão)

Em Francisco Beltrão os visitantes
revivem o trajeto da Via Sacra, subindo
o Morro do Calvário onde
encontra-se uma imagem do Cristo
Redentor com mais de 20m de
altura.

Mina de Ametista. (Crédito imagem: Prefeitura de Chopinzinho)

EXCENTRICIDADES

A região também apresenta costumes singulares, como a Olimpíada Rural,
realizada em Coronel Vivida, nos meses de julho. Uma competição nas
mais variadas e curiosas modalidades, como Caça a Galinha, Corrida do
Porco, Debulhar Milho, Carrinho de Mão e Cabo de Guerra.

Polentô, o tradicional lanche pato-branquense que substitui as duas fatias de pão, por duas de polenta. (Crédito imagem: Patô Lancheria Divulgação)

 

Em Pato Branco, o turista pode apreciar o X-polenta, apelido do lanche
Polentô, registrado há 10 anos pelo Patô Lanches. Trata-se de um farto
sanduíche de 910g, que substitui as duas fatias de pão por polenta,
repleto de bacon, calabresa, queijo, tomate, ovo e rúcula. Mas não se
assuste, existe a possibilidade de solicitar meia porção e há variações
dos recheios. Hugo Recalde Gomez conta que o produto surgiu após
uma análise do mercado regional. “A maioria dos habitantes tem origem
italiana e sabemos da grande atração por polenta. Inicialmente era pra
ser uma pizza e, no lugar da massa, a polenta, mas realizando testes com
diversos ingredientes chegamos ao lanche. A maciez da polenta, o amargor
da rúcula com os cortes do porco e a peculiaridade do provolone
trouxeram um equilíbrio perfeito. Por 10 anos mantivemos apenas um
sabor, hoje temos oito”, conta.

Ainda na gastronomia, Ampére
tem como prato típico o Porco
Pizza e Capanema recebeu do
Sebrae/PR o selo de Indicação
Geográfica pelas qualidades particulares
no melado e no açúcar
mascavo produzido.

Localizado entre os municípios
de Vitorino (PR) e Jupiá (SC),
o Morro do Divisor é uma atração
que tem ganhado cada vez
mais visitantes. Com altitude de
1.100m acima do nível do mar e
com 300m de desnível, a área de
10 alqueires é utilizada exclusivamente
para a prática de parapente.
Para outros esportes, como
mountain bike, trilhas e Byke
Downhill (descida em alta velocidade),
é necessária a permissão
dos proprietários do local.

O acesso por Vitorino é pela Comunidade
Fartura, em 7km de estrada com calçamento, seguindo mais
11km de trajeto sem pavimentação, até a Linha Pinheiro.

O Sudoeste do Paraná é o quintal do futsal brasileiro. A excentricidade
do tema revela-se nos clássicos das penas: Galo do Sudoeste, de Dois
Vizinhos; Marreco, de Francisco Beltrão e Pato Fusal, de Pato Branco,
esse último bicampeão da Liga Nacional de Futsal e, eleito pela Agla
Futsal Awards, o quinto melhor time de futsal do mundo.

 

A equipe
Pato Basquete participa do Novo Basquete Brasil (NBB), a liga oficial do
basquete brasileiro.
Conhecer ainda mais a história dessa terra, poder contá-la, faz-me recordar
do trecho escrito pelo professor Sittilo Voltolini, em seu livro Retorno – origem de Pato Branco. Ele defendia que “do conhecer nasce
a crença, o entusiasmo, a ufania, o brio, o amor” e, pelos corredores e
salas de aula do antigo Cefet, recomendava: “Pato-branquense, o Brasil,
ame-o aqui!”.

– Professor Sittilo, no Sudoeste aprendi a amar meu país, o meu
lugar.

* * * * *

*Nascida em Pato Branco, Silvia Bocchese de Lima é uma ferrenha defensora da sua cidade e da região. Trabalhou em Palmas e, há 11 anos, mora em Curitiba.

 

Publicado por Silvia Bocchese de Lima

26/03/2020 às 12:10

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