13/04/2026

O Paraná registrou desaceleração na geração de empregos formais em fevereiro de 2026, conforme aponta o Boletim do Emprego da Fecomércio PR, elaborado com base em dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). No período, foram criadas 21.599 vagas com carteira assinada, resultado de 195.330 admissões e 173.731 desligamentos. O saldo é 44,8% inferior ao registrado em fevereiro de 2025, quando foram abertas 39.147 vagas.
A redução no ritmo de contratação foi observada em praticamente todos os setores da economia. A agropecuária apresentou o déficit mais acentuado, com saldo de apenas 127 vagas, correspondente a uma queda de 78,1% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
No comércio, a geração de empregos também recuou de forma expressiva. Embora o setor tenha mantido saldo positivo de 1.693 vagas, o resultado é 69,5% inferior ao de fevereiro de 2025. A indústria registrou retração de 59% na criação de postos de trabalho, enquanto a construção civil teve redução de 52,6%.
O setor de serviços, que concentra o maior contingente de trabalhadores no estado, com estoque de 1.461.508 vínculos formais, foi o principal responsável pela geração de empregos no mês. Foram criadas 15.300 novas vagas, embora o resultado represente queda de 32,3% em relação ao mesmo período do ano passado.
De acordo com o assessor econômico da Fecomércio PR, Lucas Dezordi, o resultado paranaense acompanha a desaceleração nacional do mercado de trabalho. No Brasil, a geração de empregos recuou 42,0% em fevereiro na comparação anual. Para Dezordi, o resultado reflete um ambiente econômico mais desafiador, tanto no cenário doméstico quanto internacional. “A tendência para os próximos meses é de desaceleração no ritmo de geração de empregos, acompanhando um contexto de maior restrição econômica. Ainda assim, é importante destacar que os saldos seguem positivos, o que indica continuidade da criação de vagas, embora em ritmo mais moderado”, afirma.
O economista destaca que o desempenho mais fraco do comércio está relacionado à dinâmica do consumo das famílias. “O comércio é diretamente impactado pela redução do consumo, especialmente em um cenário de juros elevados e maior cautela por parte dos consumidores. Com menor volume de vendas, o setor tende a ajustar o ritmo de contratações. Já os serviços mantêm maior resiliência, sustentados pela continuidade da demanda e pela sua relevância na estrutura do emprego”, avalia.

Destaques regionais
Em termos absolutos, Curitiba liderou a geração de empregos no estado em fevereiro, com saldo de 7.184 novas vagas, seguida por Londrina (1.231), São José dos Pinhais (1.079), Maringá (871) e Toledo (617).
Na análise proporcional, os maiores avanços na geração de empregos em relação a fevereiro de 2025 foram registrados em Rolândia (+130,6%), Assis Chateaubriand (+97,9%) e Piraquara (+31,3%).
De acordo com Dezordi, os dados apontam para um mercado de trabalho ainda em expansão, porém em trajetória de desaceleração. “Os municípios paranaenses apresentaram, em sua maioria, saldos inferiores aos observados no mesmo período do ano passado, o que evidencia a redução no ritmo de geração de empregos no estado”, conclui.

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