15/07/2026

Quem não tem uma conta a pagar, não é mesmo? No Paraná, 87,2% das famílias possuíam algum tipo de dívida em junho. Entram nessa relação despesas como cartão de crédito, carnês de lojas, empréstimos pessoais, financiamentos de veículos e imóveis, além de cheques pré-datados. Por isso é cada vez mais difícil encontrar um orçamento familiar sem um boleto para vencer. Os dados são da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), elaborada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR).
O percentual de famílias endividadas permaneceu praticamente estável em relação a maio, quando era de 87,1%, mas supera os 84,7% registrados em junho de 2025. Apesar de o endividamento no estado continuar acima da média nacional, de 81,6%, a situação é mais favorável do que em anos anteriores, quando o Paraná ocupava a liderança do ranking nacional. O estado aparece na nona posição entre as unidades da federação, enquanto Rio de Janeiro e Ceará concentram os maiores índices de endividamento do país.
Se por um lado o nível de endividamento permaneceu estável, a inadimplência voltou a crescer. Em junho, 16,7% das famílias paranaenses possuíam contas em atraso, percentual superior aos 15,2% registrados em maio e aos 11,7% observados no mesmo mês do ano passado.
Ainda assim, o Paraná segue entre os estados com menor inadimplência do país. Enquanto a média nacional atingiu 29,9% das famílias, o estado ocupa a segunda melhor posição no ranking nacional, atrás apenas de Mato Grosso.
Também aumentou a parcela de famílias que afirmam não ter condições de quitar suas dívidas. O percentual passou de 3,8% em maio para 4,3% em junho, acima dos 2,1% registrados um ano antes.
O comprometimento médio da renda com dívidas permaneceu praticamente estável no período, correspondendo a 32,6% da renda familiar.

Endividamento por faixa de renda
Entre as famílias com rendimento de até dez salários mínimos, o percentual de endividados passou de 87,8% para 88,0% entre maio e junho. Já entre as famílias com renda superior a dez salários mínimos houve leve redução, de 83,9% para 83,3%.

Tipo de dívida
O cartão de crédito continua sendo, de longe, a principal modalidade de endividamento dos paranaenses, presente em 91,5% das dívidas. Na sequência aparecem o financiamento de veículos, com 8,5%.
Pela primeira vez em quase 13 anos de acompanhamento da pesquisa, os carnês assumiram a terceira posição entre os tipos de dívida, respondendo por 6,7% dos compromissos financeiros das famílias e superando o financiamento imobiliário, que correspondeu a 6,6% no mês de junho.
Entre as famílias de menor renda, os carnês têm participação ainda maior, representando 7,3% das dívidas. O percentual supera em 2,2 pontos percentuais o financiamento habitacional, que responde por 5,1% dos compromissos desse grupo. O resultado indica que as compras parceladas no comércio vêm ganhando espaço entre esses consumidores, enquanto o financiamento imobiliário perde força em um cenário de juros elevados e crédito mais restrito.
Já entre as famílias com rendimento superior a dez salários mínimos, o financiamento imobiliário segue em expansão e atingiu 13,6% das dívidas em junho, superando inclusive o financiamento de veículos, com 10%. Nesse grupo, os carnês representam apenas 4,3% das dívidas, mesmo percentual observado para o crédito pessoal.

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