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Acordo Mercosul-União Europeia avança no Brasil e amplia oportunidades para o Paraná

Tratado em análise no Congresso prevê redução gradual de tarifas e abre espaço para diversificação das exportações paranaenses ao mercado europeu

04/02/2026

A tramitação do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia no Congresso Nacional coloca o comércio exterior brasileiro, e paranaense, no centro do debate econômico. A Fecomércio PR elaborou uma análise especial sobre o comércio bilateral do Brasil e do Paraná com a União Europeia, mapeando o desempenho recente da balança comercial, os principais produtos exportados e importados e os segmentos com maior potencial de expansão a partir da implementação do acordo.

Assinado em 17 de janeiro de 2026, após mais de duas décadas de negociações, o tratado prevê a redução gradual de até 90% das tarifas em um período de dez anos e a eliminação de encargos sobre cerca de 92% das exportações do Mercosul ao mercado europeu.

As projeções indicam que a participação do Brasil no mercado europeu pode saltar de 8% para 36%, ampliando o acesso a um bloco que reúne aproximadamente 700 milhões de consumidores. O movimento ocorre em um contexto em que o intercâmbio comercial ainda apresenta desequilíbrios.

Em 2025, o comércio bilateral entre Brasil e União Europeia registrou déficit de US$ 480 milhões, com exportações de US$ 49,8 bilhões e importações de US$ 50,2 bilhões. No recorte estadual, o Paraná apresentou saldo negativo mais expressivo, de US$ 2,2 bilhões, ao exportar US$ 2,5 bilhões e importar US$ 4,7 bilhões do bloco europeu.

Para o Paraná, o acordo representa uma oportunidade de diversificar os parceiros comerciais e reduzir esse déficit. Em 2025, o principal produto exportado pelo estado à União Europeia foi o farelo de soja, que cresceu 11,2% em 2025, beneficiado pelo desempenho da safra 2024/2025. Também avançaram de forma relevante equipamentos de engenharia civil (+184,6%), produtos da indústria química (+157,9%), açúcares e melaços (+72,6%), motores de pistão (+61,5%) e carnes de aves (+47,4%).

As importações provenientes da União Europeia concentraram-se em medicamentos, acessórios de veículos, motores de pistão, aparelhos de medição, ventiladores e exaustores, compostos orgânicos e máquinas agrícolas. Em 2025, destacou-se o forte crescimento das compras de óleos combustíveis (+141,2%), máquinas de processamento de alimentos (+86,3%), máquinas não elétricas (+72,9%), produtos químicos orgânicos (+22,5%) e máquinas e equipamentos (+21,1%). Os medicamentos, inclusive veterinários, permaneceram como o principal item importado, com aumento de 6,8%, evidenciando a dependência do mercado estadual em relação à indústria farmacêutica europeia.

Para o assessor econômico da Fecomércio PR, Lucas Dezordi, o acordo representa uma inflexão estratégica para o estado. “A redução tarifária tende a ampliar a competitividade do agronegócio e da agroindústria paranaense em um mercado exigente, favorecendo a diversificação de destinos e o aumento do valor agregado das exportações”, afirma. Segundo ele, o desafio será aproveitar o novo ambiente comercial para reduzir o déficit estrutural nas trocas com o bloco.

A implementação do tratado ainda depende de aprovação legislativa nos países do Mercosul e enfrenta questionamentos jurídicos na União Europeia, o que pode postergar sua entrada em vigor plena. Mesmo assim, a eventual aplicação provisória já em 2026 pode alterar gradualmente a dinâmica comercial, ampliando oportunidades, mas também intensificando a concorrência em setores industriais mais sensíveis.

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Publicado por Karla Santin

04/02/2026 às 09:40

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