08/12/2025

A economia brasileira deve terminar 2025 com crescimento de 2,4% e avançar para um período de acomodação em 2026. A projeção foi apresentada durante a 17ª edição do Discutindo Economia, promovida pelo Conselho Regional de Economia do Paraná (Corecon-PR), que reuniu especialistas para analisar o desempenho dos setores produtivos e traçar perspectivas para o próximo ano.
Economistas do Sistema Ocepar, Federação da Indústria do Paraná (Fiep), Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR), do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) e da Agência de Assuntos Metropolitanos do Paraná (Amep) avaliaram os principais segmentos econômicos da economia paranaense e nacional. O encontro foi conduzido pelo presidente do Corecon-PR, Odisnei Antonio Bega, com público presencial e participantes online.
Agronegócio
O agronegócio segue como principal motor do superávit comercial brasileiro. De acordo com o economista Salatiel Turra, do Sistema Ocepar, o setor mantém previsão de safra recorde para 2025/2026, com destaque para soja e milho. Apesar das incertezas climáticas, pressões de custos e volatilidade de preços internacionais, o cooperativismo e o uso crescente de tecnologia sustentam a competitividade paranaense. Entre os desafios, estão o aumento do endividamento rural, limitações do Plano Safra e a necessidade de ampliar a conectividade no campo, especialmente diante da adoção crescente de ferramentas de IA. O cenário para 2026 é de otimismo moderado, com expectativa de recuperação gradual dos preços e abertura de novos mercados.
Indústria
A indústria paranaense mantém posição de destaque no país. Segundo o economista da Fiep, Evanio Felippe, o estado figura como a terceira maior força da indústria de transformação e é um importante exportador de bens e serviços. Em 2025, o setor apresentou desempenho acima da média nacional, impulsionado por áreas como máquinas e equipamentos, materiais elétricos e produtos químicos. Para 2026, o setor prevê desafios, especialmente os juros elevados, que encarecem o crédito, e a valorização do câmbio, que reduz competitividade no mercado externo. Apesar disso, o aumento do consumo interno, estimulado por isenções no Imposto de Renda e pelo fluxo de recursos eleitorais, tende a favorecer a atividade industrial.
Comércio, serviços e turismo

Representando 48% do PIB paranaense, o setor de serviços continua sendo protagonista na geração de empregos formais. O economista da Fecomércio PR, Lucas Dezordi, destacou que o comércio varejista e o turismo mantiveram trajetória de crescimento após a pandemia. O turismo do estado tem se destacado, ao atrair grande número de visitantes devido a um processo de reestruturação e incentivos governamentais para modernização e ampliação de suas atividades. Para 2026, a expectativa é de desaceleração no ritmo de expansão, acompanhando a tendência nacional, mas com indicadores ainda positivos. O consumo das famílias deverá seguir em patamar semelhante ao de 2025, associado a uma taxa de desocupação em queda, mantendo o nível de pleno emprego.
Mercado de Trabalho
O mercado de trabalho brasileiro apresentou avanços relevantes ao longo de 2025. Conforme análise de Sandro Silva, do Dieese, a taxa de desocupação caiu para 5,4% e a renda real aumentou, favorecida pelo consumo. Mais de 78% das negociações coletivas resultaram em ganho real. Entretanto, a informalidade permanece elevada, assim como contratos precarizados. Para 2026, projeta-se desaceleração na criação de novos postos, com o desafio de elevar a qualidade das ocupações.
Conjuntura nacional e global
Wilhelm Meiners, economista da Amep, avaliou que a conjuntura global tem sido marcada por tensões geopolíticas e pela adoção de políticas tarifárias mais rígidas pelos Estados Unidos, o que reduz o dinamismo do comércio internacional.
No Brasil, o PIB deve fechar 2025 acima das previsões iniciais, impulsionado pelo investimento público. O avanço, no entanto, é limitado pelos juros reais elevados e pelo modelo rígido de metas de inflação, considerado por eles e todos os demais economistas presentes como ultrapassado e limitador do crescimento econômico. Para 2026, ano eleitoral, a expectativa é de maior circulação de recursos, manutenção da inflação sob controle e crescimento entre 2,2% e 2,4%.
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