14/09/2026

Uma boa notícia para o bolso dos consumidores paranaenses. Os preços recuaram em agosto, e a queda foi mais intensa em Curitiba e Região Metropolitana do que na média brasileira. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou deflação de 0,64% na região, o dobro da redução de 0,32% registrada no país.
A análise da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Paraná (Fecomércio PR), elaborada com base nos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que a diferença também é significativa quando observado um período mais longo. No acumulado de janeiro a agosto, a inflação nacional foi de 3,11%, enquanto em Curitiba e RM foi menor, de 1,96%. Já nos últimos 12 meses, a inflação acumula 2,46% em Curitiba e Região Metropolitana, enquanto o índice nacional chega a 4,22%. A diferença é de 1,76 ponto percentual.
No cenário nacional, quatro dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados ficaram mais baratos em agosto. Habitação apresentou queda de 1,87%, seguida por Transportes (-0,86%), Alimentação e bebidas (-0,34%) e Comunicação (-0,09%). Essas variações são referentes ao IPCA brasileiro e ajudam a explicar a deflação registrada no país no mês.
A maior contribuição veio de Habitação. A redução de 1,87% foi o menor resultado para um mês de agosto desde o Plano Real e teve influência principalmente da energia elétrica residencial, que caiu 7,63% e exerceu impacto de -0,33 ponto percentual no IPCA nacional. O movimento está relacionado à incorporação do Bônus de Itaipu nas faturas emitidas em agosto.
Alimentos e passagem aérea ficam mais baratos em Curitiba
Para quem vive em Curitiba e Região Metropolitana, a queda de preços apareceu em itens bastante presentes no cotidiano. A batata-inglesa ficou 23,85% mais barata em agosto, enquanto a cenoura recuou 23,08% e a cebola, 20,62%. Também apresentaram reduções expressivas a passagem aérea (-15,34%), o tomate (-13,65%), o pepino (-12,39%) e a alface (-6,98%).
Entre as maiores altas registradas em Curitiba e Região Metropolitana estão cigarro (+12,62%), gás encanado (+9,89%), mamão (+5,71%), melancia (+5,07%), capa de filé (+4,86%), bolo (+3,70%) e acém (+3,64%).
A redução recente de alguns alimentos também ajuda a amenizar altas acumuladas ao longo do ano. De janeiro a agosto, por exemplo, a cebola registra aumento de 59,08%. Pepino (+49,02%), manga (+41,62%), cenoura (+38,17%), leite longa vida (+34,80%), tomate (+31,89%) e feijão-preto (+30,77%) também permanecem entre os produtos com maiores elevações no período.
Na outra ponta, alguns produtos e serviços acumulam reduções importantes desde o início do ano. Emplacamento e licença caíram 32,70%, maçã, 19,38%, açúcar cristal, 17,84%, café moído, 16,37%, e laranja-pera, 15,89%.
“A alimentação no domicílio em Curitiba e Região Metropolitana registrou uma importante desaceleração nos preços”, analisa o assessor econômico da Fecomércio PR, Lucas Dezordi.
Inflação em 12 meses fica em 2,46%
Mesmo com a inflação regional mais comportada, alguns itens ainda pesam mais no orçamento do que há um ano. Entre setembro de 2025 e agosto de 2026, a cebola acumula alta de 53,81% em Curitiba e Região Metropolitana, seguida por cenoura (+49,68%), manga (+33,46%), passagem aérea (+31,66%), feijão-preto (+31,46%) e melancia (+26,07%).
Segundo Dezordi, a trajetória recente dos alimentos acompanha um movimento de desaceleração observado no país. “Seguindo a tendência nacional, em Curitiba e Região Metropolitana os subitens do grupo alimentação estão desacelerando em virtude de boas condições climáticas”, afirma.
A continuidade da desaceleração da inflação amplia o espaço para uma possível flexibilização da taxa básica de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom), conforme aponta a análise da Fecomércio PR.
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