17/11/2025

O Paraná ampliou suas conexões internacionais ao longo de 2025 para contornar as tarifas norte-americanas e reduzir a dependência de mercados tradicionais. A mudança já se reflete no mapa comercial: segundo o Boletim do Comércio Exterior da Fecomércio PR, os Estados Unidos, que ocupavam a segunda posição entre os principais destinos das exportações paranaenses, caíram para o oitavo lugar, representando apenas 3% das vendas externas do estado.

A China permanece como o maior parceiro comercial, mas a lista de destinos vem ganhando novos protagonistas. A Argentina, que já havia se aproximado da vice-liderança nos últimos meses, segue fortalecendo sua participação. Em outubro, países como Irã, Espanha, Filipinas, Reino Unido, Arábia Saudita e Itália registraram expressivas altas nas compras de produtos paranaenses. O crescimento mais significativo veio do Irã, com alta de 44,8%, assumindo o terceiro lugar no ranking de parceiros comerciais, com participação de 5,5% do total de exportações paranaenses.
Também se destacaram as exportações para a Espanha (+189,2%), Filipinas (+181,7%), Reino Unido (+112,3%), Arábia Saudita (+110,0%) e Itália (+65,7%). Entre os produtos mais comercializados estão açúcar, óleo de soja, pasta química de madeira, carnes suínas, papel e cartão, madeira serrada, milho, pás carregadeiras, café, frango em pedaços e miúdos. Em sentido contrário, as exportações para os Estados Unidos recuaram 48,97% em relação a outubro do ano passado.

No fluxo das importações, China, Estados Unidos, Alemanha, Paraguai e Argentina lideraram o suprimento de insumos e bens, especialmente adubos, fertilizantes, veículos, petróleo bruto, diesel, soja, milho, trigo, cevada, metanol, máquinas e equipamentos.

Balança comercial
A balança comercial paranaense fechou outubro com superávit de US$ 252,4 milhões, revertendo o déficit de US$ 20,3 milhões registrado no mesmo mês de 2024.
No acumulado de janeiro a outubro, o estado exportou US$ 19,6 bilhões, impulsionado por soja e derivados (US$ 3,9 bilhões), milho (US$ 694 milhões), frango e aves (US$ 2,9 bilhões) e açúcar (US$ 937 milhões). As importações somaram US$ 17,3 bilhões, lideradas por metanol (US$ 320 milhões), fertilizantes (US$ 2,6 bilhões), óleo diesel (US$ 1,1 bilhão) e medicamentos (US$ 789 milhões).
Entre os principais produtos exportados, apresentaram crescimento expressivo milho não moído (+55,5%), soja (+33,2%), celulose (+61,9%), produtos residuais de petróleo (+346,5%), motores de pistão (+81,1%), café torrado (+31,3%) e carne bovina fresca ou congelada (+28,6%). Já as exportações de aves e miudezas caíram 14,3% na comparação anual, embora mercados do Oriente Médio e países como México, Chile, Holanda, Turquia, Singapura, Filipinas, Coreia do Sul e Japão tenham ampliado as aquisições. O setor madeireiro também registrou queda de 25,77%, influenciado pela retração da demanda dos Estados Unidos, principal comprador do produto, seguido por Reino Unido e México.
Para o economista e assessor econômico da Fecomércio PR, Lucas Dezordi, o movimento evidencia uma estratégia consistente de diversificação. Ele afirma que a ampliação do número de mercados compradores fortalece a resiliência do estado diante das oscilações internacionais. “A tendência é que o Paraná siga expandindo sua rede de parceiros, consolidando mercados emergentes e reduzindo a vulnerabilidade a flutuações tarifárias ou conjunturais”, projeta.
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