Uma nova era para o país

25 maio 2016

Nos últimos 15 anos, o Brasil foi atingido por uma grave crise política e econômica, em que se destacam o desequilíbrio fiscal, o baixo crescimento econômico e a crescente taxa de desemprego da mão de obra nacional. Ao lado dessas adversidades, veio somar-se a inversão do ciclo de valorização das nossas principais commodities de exportação. O volume do comércio exterior brasileiro (exportação + importação) declinou 25% entre 2011 e 2015. Entre 2012 e 2016 o preço da soja caiu 40%; do minério de ferro, 63%; da carne bovina, 10% e do café, 23%.

Em 2014, o PIB nacional ficou estagnado; em 2015 regrediu 3,8% e neste ano tudo indica que terá o mesmo resultado. A inflação anual, embora ligeiramente declinante, situa-se ao nível perturbador de 10%. E o mais grave, a taxa de desemprego subiu de 6% em 2014 para 10,9%.

Em consequência de uma série de fatores adversos, principalmente a adoção de um equivocado modelo de política macroeconômica, a economia brasileira atravessa, na conjuntura atual, um período de grave recessão.

O exagerado crescimento do Estado e da burocracia oficial se fez acompanhar da pesada carga tributária, que atinge hoje 32,7% do PIB, ao lado das restrições do sistema creditício, onde são praticadas as taxas de juros mais altas do mundo, sobre o sistema produtivo. Igualmente, temos que reconhecer que há, entre nós, uma total divergência entre a política econômica e a política monetária.

Há em todos os setores da comunidade brasileira grande preocupação com a necessária reestruturação do sistema da Previdência Social, diante das mudanças que estão ocorrendo na estrutura demográfica do País, com uma nítida tendência para o envelhecimento da população. Por isso, o governo federal está tratando de implementar mudanças, a começar pela fixação da idade mínima de 65 anos para a aposentadoria de homens e mulheres, a unificação da previdência urbana e rural, além da eliminação de inúmeros privilégios de categorias específicas que sobrecarregam as contas da Previdência Social.

O país passa por profunda transformação no comando do governo. Tudo indica que essa mudança vai ensejar a repactuação da política econômica, na direção do equilíbrio fiscal, da retomada do crescimento econômico e da estabilidade do emprego. Na agenda do novo governo são anunciados, com destaque, o aprofundamento das reformas básicas, inclusive o necessário corte de despesas.

A nova configuração política nos anima a esperar uma positiva mudança de rumo, com vistas à retomada do desenvolvimento equilibrado da economia nacional e da expansão do mercado de trabalho.

Já temos educação gratuita para todos os níveis, sem prejuízo do ensino particular, permitindo igualdade de ingresso ao mercado de trabalho. É importante acentuar que, no atual estágio da economia, conforme apurou a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, os profissionais com nível superior têm sido mais penalizados com demissões.

O fortalecimento do Ministério das Relações Exteriores, agora incumbido também de desenvolver as relações comerciais entre o país e outras nações, é outra medida urgente. Não só as exportações devem ser incentivadas, mas é essencial a busca pelo investimento estrangeiro direto, em detrimento do mero ingresso de dólares de caráter especulativo.

Ao equilibrar as contas públicas, beneficiando o setor produtivo, com incremento dos mercados externo e interno, o governo poderá devolver aos brasileiros a confiança no futuro que é essencial para a administração pública e para a iniciativa privada.

 

Darci Piana
Presidente do Sistema Fecomércio Sesc Senac PR